quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Oriente








À saída da barra,
O navio que em pouco tempo será um navio distante,
Liberta uma chaminé de fumo negro,
Voga no mar, no céu, no mar cinzento,
Até desaparecer no interior da neblina.

Na praia deserta, à saída da barra,
Ficam beijos breves de namorados,
O vento, a chuva, as árvores,
e outras coisas essenciais como a areia.
Não há sol, o navio invisível já vai longe,
E a noite chega sem o grasnar das gaivotas.

Neste instante em que assomo à janela da realidade,
O meu olhar é como o rasto negro do distante navio,
A rumar para um longínquo fim,
um sorriso que avança voltado para terra,
Com nostalgia de tudo, até do futuro.

Koi Hui Sio

1 comentário:

Suraia disse...

Que lindo texto a nos remeter às não menos nostalgicas cantigas medievais ou Fernando Pessoas....